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A aftosa não admite meio-termo

O pior que poderia acontecer, aconteceu, e mais uma vez estamos assistindo a outro surto de febre aftosa no Rio Grande do Sul, justamente no momento em que a imagem externa do país estava em franca ascensão, o que é uma lástima. Mas também é o momento para se levantar duas questões.

O que é mais importante: pensar exclusivamente nas exportações ou deixar o rebanho brasileiro a mercê de uma grave doença, não vacinando-o quando os fatos assim exigirem? Outra questão: como fica o produtor de leite, cuja propriedade esteja situada dentro de um cinturão de defesa sanitária?

A luta contra essa secular doença, da qual raríssimos países do mundo podem ser considerados realmente livres, não admite meio-termo. De todos os vírus que existem, o da aftosa é o que se propaga com maior facilidade. Vem pelo vento, pelos animais selvagens. Não respeita fronteiras geográficas nem barreiras físicas.

Portando, a ordem é vacinar ou vacinar. Isso é mais imperioso ainda, sabendo que estudo realizado na Alemanha relata que um foco primário da epizootia produz cinco focos secundários em bovinos vacinados e de 20 a 2.400 focos secundários em bovinos não vacinados!

O Brasil reúne todas condições para dominar o mercado internacional de carne bovina, mas muito mais fundamental do que essa meta é a saúde do nosso rebanho. Deixar de vacinar o gado para não atrapalhar as exportações, como foi aventado no atual surto gaúcho, é o pior caminho que o país poderia tomar.

Em relação ao produtor de leite, sua situação é mais dramática ainda, mormente considerando que são pequenos na imensa maioria. O leite para eles é salário, muitas vezes mínimo. Quem vai pagar o custeio de sua família caso não possam vender sua produção ao laticínio devido à aftosa? Pior do que isso, quem indenizará suas vacas eventualmente abatidas?

O Governo, que está sendo muito diligente em seus esforços de combate à aftosa, não pode relegar esse problema a segundo plano, como se ele não existisse. Não estamos sendo terroristas, mas realistas diante de um cenário de ameaças. É preciso criar um fundo emergencial, ou coisa semelhante, para que o pequeno produtor de leite não fique na rua da amargura.

Infelizmente o Brasil ainda não é dono da situação no tocante à aftosa. Temos muito que caminhar na profilaxia médica (vacinação), na profilaxia sanitária (vigilância epidemiológica) e principalmente na conscientização de que essa doença é um caso de segurança nacional. Os EUA, há oitenta anos, tiveram essa visão e acabaram com ela. Mataram 300 mil animais contaminados entre bovinos, ovinos, caprinos, suínos e cervos.

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil
Abril/2001