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Uma prova de fogo para o leite brasileiro

Sou produtor há 40 anos e nunca vi uma coisa dessas: excesso de leite no mercado em plena entressafra deste ano! Pegou todo mundo de calça curta, laticínios, governo, técnicos. Foi a maior revolução que já ocorreu na pecuária leiteira do Brasil. É um fenômeno digno de comemoração, pois significa que conseguimos derrubar um dos principais símbolos do atraso do setor, justamente o ciclo safra-entressafra na produção de leite.

Logicamente isso aconteceu porque o produtor tornou-se muito mais eficiente, melhorando a genética do rebanho, a qualidade da alimentação, o manejo das vacas. Esse esforço tecnológico foi conseqüência imediata da rentabilidade obtida por produtores de importantes bacias leiteiras, sem o que não teriam como investir em suas propriedades. Ficou mais uma vez comprovado que o melhor adubo da terra é o lucro!

Todavia, os avanços podem ir por água abaixo com a mesma rapidez com que ocorreram, pois excesso de leite também significa preços baixos e é isso que está acontecendo agora. Os preços podem se tornar mais deprimidos ainda a partir de outubro, quando começa a safra. Caso não ocorra reversão das expectativas, não falharemos muito em prever falta de leite no mercado na entressafra de 2002. Para nossos males estaremos voltando ao círculo vicioso da safra-entressafra.

Essa é uma situação que não interessa a ninguém. Temos que encontrar uma saída. A mais óbvia seria aumentar o consumo interno de leite, queijos, iogurtes, mas como fazer isso com nossas taxas atuais de desemprego, mais impulsionadas ainda pela recente alta dos juros, crise energética e explosão do dólar ? Infelizmente é uma solução somente a longo prazo.

Então o único caminho que nos resta é a exportação. Um desafio e tanto, mas não impossível de ser vencido. Temos a nosso favor uma vantagem comparativa de peso em relação a outros países exportadores: não existe no mundo um leite de preço tão barato como o brasileiro !

O problema é o de que não temos tradição no comércio exterior de lácteos, mas nada se começa sem o primeiro passo. Os agronegócios lideram nossas exportações com US$ 14 bilhões, mesmo sofrendo pesadas barreiras tarifárias. Se conseguirmos colocar lá fora carne de frango, farelo soja, suco de laranja, por que não fazer o mesmo com os laticínios ?

Para tal primeiro será preciso nos organizar, conversar com gente que entende de exportação, buscar apoio no Governo, principalmente na Câmara do Comercio Exterior (Camex), justamente criada para exercer essa função. O que não podemos é cruzar os braços, como se o problema não fosse conosco.

Jorge Rubez – Presidente da Leite Brasil
Agosto/2001