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Uma luz no fim do túnel

O “leite social” poderia ser um grande maná para todo o país pelo volume que movimenta. São milhões de litros distribuídos por ano nas creches, escolas, cestas básicas. Os benefícios seriam em cadeia: mais emprego no campo, melhor renda para os produtores, recolhimento maior de impostos, redundando tudo em mais injeção de recursos na economia.

Por nossos azares infelizmente isso não acontece porque expressiva parcela do “leite social” tem origem estrangeira. Um exemplo é o Programa Leve Leite da Prefeitura do Município São Paulo. São cerca de 400 mil litros diários, que significam 10% do total do leite em pó importado pelo Brasil, ou cerca de 2% da produção formal do país.

A fornecedora atual da Prefeitura paulistana, a Tangará, é uma firma especializada e muito eficiente na colocação de lácteos de outros países em nosso mercado. O preço pago pela Prefeitura a essa empresa está bem acima do preço pago por outros Executivos municipais e estaduais, fato amplamente divulgado na mídia. O assunto gerou e continua gerando muita controvérsia.

Justamente para discutir essa questão de extrema importância para a pecuária leiteira nacional, marcamos uma audiência no gabinete da prefeita Marta Suplicy. Estávamos acompanhados de Roberto Jank, presidente da Láctea Brasil e de Daniel de Figueiredo Felippe, presidente da Coonai.

Acreditamos que os resultados foram bastante positivos. A audiência durou quase uma hora e a prefeita Marta Suplicy mostrou-se muito sensível às nossas reivindicações, inclusive apoiando nossa tese de que os programas de “leite social” não só da Prefeitura, mas de todos Governos, devam ser única e exclusivamente abastecidos com leite brasileiro.

A prefeita foi mais além ainda e deu-nos a chance de fazer um teste visando a colocação de leite pasteurizado e longa vida em um dos programas da Prefeitura. Como a Coonai tem bastante experiência nessa área, sua colaboração será valiosa para que logremos êxito em mais essa missão, que vem numa hora muito propícia, visto os presentes excessos de leite no mercado interno.

Vamos esperar os desdobramentos da audiência e quem sabe pode ser uma luz no fim do túnel num momento crítico para o produtor. Usar apenas leite nacional nos programas sociais é antes de tudo um ato patriótico e essa foi a parte que mais tocou a prefeita Marta, como também tocou o governador Geraldo Alckmin, que só aceita leite 100% brasileiro no programa paulista. Oxalá outros chefes de Executivos tivessem o mesmo sentimento.

Jorge Rubez – Presidente da Leite Brasil
Agosto/2001