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Mais um exemplo do Custo Brasil

Um problema está incomodando muito o setor leiteiro nacional. É a falta de definição do Governo sobre as novas normas de produção de leite e derivados. Elas estão prontas há quase um ano e até agora ainda não entraram vigor, pelo menos até o momento em que escrevemos este artigo.

Como o Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa), novo nome da autarquia, não deu nenhuma explicação oficial sobre o motivo da delonga, resta-nos concluir que as novas normas não são mais prioridade para o atual Governo.

Caso essa situação se prolongue por mais tempo ainda, as novas normas podem ficar superadas antes mesmo de serem colocadas em prática, exigindo uma boa “recauchutagem” no texto original. Aí coisa se complicaria de vez, pois é muito mais fácil fazer do que refazer.

Tudo isso significa tempo perdido de dezenas de técnicos do Governo e da iniciativa privada e enorme frustração de cadeia leiteira, que depositava nas novas normas grande esperança para a melhoria da qualidade do nosso leite. Quem procura um exemplo clássico do famoso Custo Brasil, aí está mais um.

Talvez o que está “pegando” nas novas normas é que elas atingem em maior porcentagem os pequenos produtores, o que não deixa de ser uma justa preocupação. O Governo sabe que a nova lei pode dificultar a sobrevivência daqueles produtores e se transformar num elemento a mais do êxodo rural e, conseqüentemente na crise social do país.

Não resta nenhuma dúvida que os pequenos produtores, que tiram no máximo 50 litros por dia, merecem a mesma ou mais atenção que os grandes, mas a verdade é que eles representam apenas 15% da produção nacional. Se for esse realmente o problema, que o Governo então dê um prazo maior para que esse segmento da atividade possa se adaptar à nova legislação.

O que não podemos é continuar nesse impasse, principalmente agora, quando a pecuária leiteira nacional está atravessando uma crise econômica, com a recente derrubada de preços do leite ao produtor, situação que poderia ser contornada com a exportação dos nossos lácteos. O desafio é grande e a demora da aplicação das novas normas torna-o maior ainda.

Existem várias formas de se conquistar os grandes mercados mundiais, mas todas pressupõem preços competitivos, cumprimento fiel dos contratos e alta qualidade dos produtos. Este último requisito teríamos menos dificuldades de cumprir se as novas normas já estivessem em vigor.

Jorge Rubez – Presidente da Leite Brasil
Setembro/2001