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A caixa preta das novas normas

Sempre que ocorre um acidente aéreo, ocorre também a procura frenética da famosa caixa preta. Ela é praticamente indestrutível, resistindo ao impacto, fogo, água e até mesmo à explosão do avião. Somente após aberta, os peritos divulgam as causas do acidentes.

Por que não construir todo o avião com o mesmo material da caixa preta? Se esta pergunta for feita a um especialista, tudo que ele falar a respeito, inclusive as inverdades, sou obrigado a acreditar porque sou leigo no assunto. Usei esse exemplo para dizer que muitos problemas do país são como a caixa preta.

É o caso das novas normas de produção de leite e derivados. Alguns ditos “especialistas”, movidos apenas por interesses pessoais e posando como donos da verdade, andam afirmando para um público, não suficientemente esclarecido, que as novas normas vão acabar com o pequeno produtor de leite, entre outros absurdos.

Para sermos mais precisos, esses “especialistas” são certos políticos que estão se posicionando contra a novas normas com o único intuito de garantir votos nas eleições de 2002. É um crime de lesa-pátria, pois ao adotarem esses procedimento, eles estão sabotando um projeto idealizado para tirar a pecuária leiteira do Brasil do atraso em que se encontra.

Será que os pequenos produtores conseguirão sobreviver fora das novas normas? A pergunta é bastante cabível, pois as novas normas significam, antes de mais nada, redução dos custos dos fretes e melhores preços pela melhoria da qualidade do leite. Além do mais, o grupo de trabalho que elaborou as novas normas teve sua atenção voltada especialmente sobre os pequenos produtores, fazendo de tudo para não causar mais um problema social no país.

Se os políticos “anti-novas normas” estão realmente imbuídos do sentimento de proteção dos pequenos produtores, então que criem mecanismos de defesa dos preços do leite no mercado, que hoje chegaram a um nível de aviltamento jamais visto no país. Talvez depois das eleições, eles mudem de posição!

O que não podemos é continuar nesse impasse, principalmente nesta crise econômica da pecuária leiteira nacional, que poderia ser amenizada com a exportação dos excedentes. Existem várias formas de se conquistar o mercado mundial, mas todas exigem três pressupostos: preços competitivos, cumprimento fiel dos contratos e alta qualidade dos produtos. Este último requisito seria mais fácil de cumprir se as novas normas já estivessem em pleno vigor.

De leite entendo um pouco, pois sou produtor há quarenta anos. Mas juro que um dia também vou entender de políticos, aviões e de caixa preta, que de preta não tem nada. Sua cor é laranja, para facilitar a busca. Já comecei a aprender, pelo menos desse secreto artefato...

Jorge Rubez – Presidente da Leite Brasil

Novembro/2001