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O leite e as eleições

Não sabemos quem será o próximo Presidente da República, mas esperamos que esteja à altura do cargo e que continue a obra de seu antecessor que, se não fez muito para a agricultura, pelo menos deixou o país melhor do que estava. Mas não basta votar bem apenas para Presidente (e para Governador). Temos que fazer o mesmo em outros cargos eletivos.

Estamos nos referindo aos senadores, deputados federais e estaduais. Devemos eleger os melhores, sobretudo por uma questão objetiva. São eles que aprovam políticas, distribuem verbas, que criam leis, que detém a representação do povo. No caso do Congresso Nacional, são seus membros que têm poder de veto sobre as mensagens do Presidente e, que inclusive, podem tirá-lo do cargo!

Como eleger o nome certo para nós, em especial para produtores de leite, entre os 16 mil candidatos aos legislativos ? Resposta difícil, caso não tivéssemos uma estrutura de classe muito bem montada em todo país. Sob a égide da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), aí estão sindicatos e federações presentes e atuantes em todos estados e em boa parte dos 5.600 municípios brasileiros.

É essa máquina de fazer votos que deve liderar o processo de seleção e indicação aos agricultores dos políticos comprometidos com os interesses do campo. Muitos dirão que isso não é coisa para nossas entidades, mas é! Industriais, banqueiros, comerciantes e até evangélicos, fazem exatamente o mesmo através de suas instituições, as quais, diga-se de passagem, se movimentam muito bem junto aos centros de poder.

Por favor, entendam que estamos nos referindo ao mais democrático sistema de articulação política. É o bom e velho lobby, a disposição de toda sociedade, mas ao qual o acesso somente é possível a segmentos muito bem organizados em suas bases. Não é necessário muito dinheiro. Nossa moeda vale mais. Chama-se pura e simplesmente voto. Ou melhor, o voto classista!.

O Congresso Nacional é formado por 594 senadores e deputados, mas apenas uma ínfima parte é defensora autêntica da agricultura. O setor responde por 28% do total da economia brasileira com um faturamento de R$ 338 bilhões em 2001. De acordo com o IBGE, no primeiro trimestre de 2002 cresceu 4,3%, ficando atrás apenas das comunicações e extração mineral.

Precisamos melhorar em quantidade e qualidade o nosso time para que possamos chegar ao ponto que chegaram os produtores americanos. Nos Estados Unidos, com número quase igual de congressistas, a bancada rural é soberana. Nomeia o Ministro da Agricultura, impõe subsídios, dobra o chefe da nação. Ai de quem arrumar briga com os agricultores.

Nas assembléias legislativas estaduais, nossa inferioridade é ainda pior. Tomemos o exemplo de São Paulo, que praticamente não tem nenhum representante nascido no seio da agricultura. Nas câmaras de vereadores do interior, é tragédia pura: cerca de 500 dos 675 municípios paulistas são essencialmente agrícolas e quem conhece bem essas casas sabe que os edis falam por tudo, menos pelo produtor.

Nas próximas eleições estarão aptos para votar 115 milhões de brasileiros. Além do Presidente, vamos eleger 26 governadores, inclusive do Distrito Federal, deputados federais e estaduais e renovar 2/3 do senado. Sem dúvida devemos priorizar candidatos com raízes na agricultura, pelo menos por uma questão de coerência profissional, com a devida orientação de nossas entidades oficiais de representação.

Não podemos indicar nomes para não infringir os estatutos da Leite Brasil, que no seu artigo quarto determina que a entidade deve manter-se “completamente estranha à manifestações político-partidárias...”.

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (Agosto/2002)