A Leite Brasil
Ações
Estatísticas
Artigos
Legislação
Fale Conosco

 

A nova lei do leite

O Brasil podia ser hoje uma das maiores plataformas exportadoras de produtos lácteos do mundo, mas só que isso era um potencial apenas no papel porque nossas normas de produção de leite infelizmente eram do século passado.

Somos critico a demora da chegada na nova lei, mas com sua entrada em vigor através da instrução normativa 51, que trouxe as normas de produção para o século 21, acreditamos que o setor ganhou todas as condições para recuperar o tempo perdido. Como estamos agora no mesmo nível de qualquer país do Primeiro Mundo em termos das exigências da lei visando a qualidade do leite, os lácteos têm tudo para ser um dos principais produtos na pauta de exportações brasileiras em médio prazo.

Não vemos grandes problemas para os produtores se adaptarem à nova legislação. Possuímos ilhas de excelência que produzem um leite com a mesma higiene e sanidade de rebanho das fazendas da Europa e dos EUA, e agora cabe ao Governo, com apoio da cooperativa, sindicatos, trabalhar para que essa mesma eficiência possa ser também atingida pelos demais produtores.

O sucesso da nova lei vai depender muito da mentalidade de cada produtor, pouco importando se é grande, médio ou pequeno. É uma situação típica da famosa lei de Darwin, segundo a qual não são os mais fortes e inteligentes que sobrevivem, mas aqueles que foram capazes de se adaptarem às mudanças. Nesse ponto, a lei foi justa, estabelecendo prazos mais do que suficientes para que todos possam atender as exigências.

Consideramos que tudo seria mais difícil se estivéssemos na estaca zero. Mas não estamos. Existem muitos laticínios em que a coleta a granel do leite resfriado, fundamental para a qualidade do leite, já é adotada por seus fornecedores, sendo que a maioria deles é formada de pequenos produtores, como é o caso do Rio Grande do Sul.

Entendemos que os laticínios estão na obrigação de remunerar melhor seus fornecedores, já que passarão a receber um leite muito melhor, podendo repassar a economia dos custos industriais, dentre os quais refrigeração, energia e manutenção. Se isso não acontecer, as novas normas podem levar à inadimplência milhares de produtores que compraram equipamentos caríssimos para melhorarem a qualidade de seu leite.

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (Fevereiro/2003)