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O leite também dá espetáculo

O Brasil realmente está mudando. Tem muita coisa nova no pedaço. Por exemplo: a recente descoberta pela grande mídia de que os agronegócios são a locomotiva sem freios da economia brasileira. O assunto, que já era de pleno conhecimento da imprensa agrícola, agora passou a ganhar a primeira página dos jornais, as capas de revistas semanais, o horário nobre da televisão. Antes tarde do que nunca.

Muito bom que isso esteja acontecendo, pois essa repentina fama abriu os olhos da nação. A sociedade brasileira passou a conhecer a força da agropecuária antes desconhecida. O governo começa a respeitar esta atividade. O país sempre teve política cambial, industrial, bancária, mas agrícola nenhuma.

Entretanto, como a grande imprensa não é do ramo, às vezes comete falhas quando faz reportagens rurais. Vejamos o caso da pecuária leiteira. Problemas não nos faltam, como também os têm a soja, carne, laranja, o açúcar, mas acontece que esses produtos estão sendo enfocados pela grande imprensa mais pelo seu lado glamouroso. Já o leite, geralmente é mostrado de forma mais negativa.

Essas distorções precisam ser sempre corrigidas, aproveitamos este espaço para isso, para que a sociedade e as autoridades não tenham idéias erradas sobre a atividade. Idéias erradas não desmentidas, geram preconceitos e aí não ha Cristo que faça mudá-los. Como os demais setores dos agronegócios, a pecuária leiteira também sabe dar espetáculos de primeira grandeza.

Podemos começar dizendo que, isso é importante num país com alto desemprego, que o leite é o setor que mais gera postos de trabalho, inclusive maior que o da construção civil, sempre mencionada como líder nesse aspecto. Nossas 1,8 milhão de fazendas leiteiras empregam perto de 5 milhões de pessoas. Todas registradas e com os demais direitos trabalhistas garantidos.

Detemos ainda o segundo maior rebanho mundial (20 milhões de vacas ordenhadas), somos o quinto maior produtor de leite dentre os 400 e tantos países do mundo, organizamos a terceira maior exposição de gado leiteiro do planeta (Expomilk), formamos uma das únicas raças leiteiras mundiais específicas para os trópicos (girolanda), produzimos o leite mais barato do mundo (US$ 0,16 por litro - maio/2003).

Nossas fazendas não ficam nada a dever ao Primeiro Mundo. Todas tecnologias que elas adotam, como ordenha computadorizada, coleta a granel, controle sanitário, contagem de células somáticas, também adotamos. Em termos de cuidados higiênicos, nem se fala. Lavamos nossos estábulos duas vezes por dia; e as de alguns países do mundo desenvolvido, duas vezes por ano!

O show continua na genética. Qualquer vaca holandesa de pedigree tem condições de concorrer e vencer em qualquer exposição nos Estados Unidos, na Europa, Oceania. Os maiores criadores do mundo das raças jersey e pardo suíço estão no Brasil. Para quem não sabe, o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking dos países que mais fazem transplantes de embriões, entre gado de leite e de corte.

O produtor brasileiro fez tudo isto sem nenhuma das vantagens que gozam os produtores estrangeiros. De longe, o leite é o produto mais protegido do mundo. De cada 1 dólar que recebe o produtor suíço, francês, japonês, canadense, US$ 0,40 são de subsídios. Todo ano, os países ricos literalmente colocam na mão de seus produtores US$ 40 bilhões.

Nosso principal ponto fraco, verdade deve ser dita, é o das exportações. Mas aí não nos scabe nenhuma culpa, já que o leite brasileiro simplesmente está concorrendo com o Tesouro das nações ricas. No dia em que concorrermos em igualdade de condições, não vai dar para ninguém. Poderemos nos tornar um dos maiores exportadores do mundo. Afinal temos preço, qualidade e quantidade.

Enquanto a produção de leite no Primeiro Mundo está quase estagnada, a nossa cresce todo ano. Andando nesse ritmo em breve seremos o terceiro maior produtor do mundo, quiçá o maior. Quem sabe nesse dia iremos para as manchetes dos jornais.

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (Maio/2003)