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O estado de guerra do Brasil

A imagem do Brasil como o país da paz está se esvaindo. Encontramo-nos em estado de guerra crônica, que faz de todos brasileiros reféns de violências diárias nas cidades e no campo. No Rio de Janeiro, os traficantes de drogas são senhores absolutos das favelas, onde formaram enclaves nos quais os governos federal, estadual e municipal, não conseguem penetrar com suas milícias, para trazer de volta a tranqüilidade aos seus angustiados moradores.

Nas reservas indígenas da Amazônia, o cenário também é de guerra, nascido no confronto armado entre índios, garimpeiros, extratores ilegais de madeira, grileiros, contrabandistas de pedras preciosas e animais silvestres, de mercenários a soldo do crime organizado. Nesse imenso barril de pólvora amazônico, se movem ainda estranhas organizações estrangeiras, as quais não sabemos de onde vieram e o que pretendem fazer na região. O que sabemos é que a soberania nacional corre risco.

E a violência do campo? Esta é a mais acintosa e a mais absurda de todas, pois está sendo comandada por uma entidade legalmente constituída; de razão social, dirigentes e endereços conhecidos, mas que há muito tempo deveria ser extinta pelos delitos que comete. Tudo já foi dito sobre o MST, mas devemos usar sempre de nosso direito de se indignar com essa célula de agitadores profissionais, alguns já presos e vários já fichados na polícia, que marcham pelas estradas com suas legiões embandeiradas, como se fossem cidadãos acima do império da lei.

Não somos contra a reforma agrária, mas contra os métodos seguidos pelo MST, métodos esses que países complicados, como Cuba, que ainda persiste na fracassada ideologia comunista, mostraram-se interessados em copiar. O MST não irá a lugar nenhum, pois de há muito perdeu sua legitimidade, o apoio do povo brasileiro. O país está cansado das ocupações de prédios públicos, das invasões de fazendas produtivas, da quebradeira de pedágios, enfim da instabilidade política que o MST e seus seguidores criaram no país.

Mas há fatos novos e gravíssimos. O pano de fundo são as riquezas naturais do Brasil e o extraordinário potencial da agropecuária que, mesmo com todas conhecidas dificuldades, cresce em importância no mercado mundial, desalojando países antes donos de posições absolutas nas exportações. Imaginem quando não houver mais congestionamentos de carga e descarga nos portos, quando as safras do país estiverem ganhando o mundo pela saída do Pacífico, quando o país conseguir modernizar suas infra-estrutura de transportes.

Tais fatos e muitos outros (20% da água doce planetária, área agriculturável, reservas de minérios, floresta amazônica, etc), estão preocupando grandes concorrentes externos da agricultura nacional. Contrariados em seus interesses geopolíticos e econômicos, eles já estão agindo. Segundo denúncias oficiais, certas corporações, sem identidade clara e precisa, se infiltraram em órgãos públicos, no Congresso Nacional, visando criar leis ardilosas que impeçam o crescimento da produção agrícola!

Alguém já ouviu falar de unidade de conservação, GUT artificial, restrição ao uso do OGM, recomposição da RC, georreferenciamento? Pois bem, essas e outras expressões, envolvendo questões fundiárias, indígenas, ambientais, agrárias e trabalhistas, resvalando pela função social da terra, já foram inseridas em leis, aprovadas sem as discussões que se faziam necessárias. Tudo no mais absoluto silêncio, nos mesmos moldes de atuação das organizações que as idealizaram.

As entidades de setor rural não vão deixar a situação como está e já se movimentam no Congresso Nacional para neutralizar os efeitos dessas leis, apesar da bancada ruralista não ser coesa como muitos imaginam que seja. Temos poucos congressistas “fechados” com nossos problemas, sendo esse um erro crasso dos próprios produtores, que ainda não aprenderam a importância de manter no Congresso lobbies poderosos para agirem nas horas críticas, como esta agora. É sempre bom lembrar que os metalúrgicos, organizados em suas onipresentes entidades, elegeram um Presidente da República.

Como último comentário, o presidente da Funai defendeu pela imprensa o recente assassinato de garimpeiros pelos índios da tribo cinta-larga do Estado de Rondônia, justificando sua opinião pelo fato do crime ter sido conseqüência da invasão de terras indígenas. Será que ele está defendendo a justiça com as próprias mãos, nos momentos de desrespeito ao direito de propriedade? Temo que o Brasil esteja à deriva.

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (abril/2004)