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Um breque no leite da Argentina 

 

Para usar a palavra da moda, o leite brasileiro acaba de ganhar nova blindagem contra importações de leite argentino. Nossos vizinhos pediram e o Brasil acatou, a proposta de um compromisso de preços para evitar a fixação de tarifa antidumping, a qual é muito pior para eles. O acordo, reivindicado pela CNA, em parceria com a Leite Brasil, CBCL e a OCB, foi assinado pelo Ministro da Indústria e Comércio Exterior, Luiz Furlan,  sempre acossado pelos argentinos pelos problemas que lhes causam as exportações brasileiras de têxteis, geladeiras, calçados e automóveis.

O novo acordo é uma prorrogação do já existente há quatro anos e dá ao produtor brasileiro mais um fôlego de três anos. Até lá os produtores poderão trabalhar em paz, pois estarão livres da uma ameaça contumaz no passado, que era a entrada no mercado interno de lácteos argentinos baratos, baratos porque havia sobre eles a prática de dumping.

Mais uma vitória nascida com a união de entidades defensoras da pecuária leiteira nacional, que se soma à obtida, tempos atrás, contra lácteos oriundos de outros países, Nova Zelândia e Comunidade Européia, que só podem exportar para cá com uma alíquota antidumping, mais taxa de 27%.  A Argentina só poderá exportar respeitando o preço mínimo de US$ 1.900 a tonelada de leite em pó e uma tabela de ágios, caso o preço do mercado internacional caia abaixo deste nível, conforme prevê a resolução da Camex.

Se alguém ainda tem dúvida dos benefícios da blindagem para o leite brasileiro basta comparar sua situação de ontem e de hoje. Há três anos atrás, os produtores amargavam preços baixos, deteriorados, enquanto que atualmente os preços estão bem mais estáveis. Também colaborou para os bons ventos que sobram no setor não apenas as medidas antidumping, mas também a conquista do mercado externo pelo leite nacional. Em 2004, pela primeira em toda sua história houve superávit na balança comercial de lácteos: as exportações foram maiores do que as importações!.

Quando se trata do comércio mundial, não se pode baixar a guarda. Basta dizer que setores do empresariado nacional não ficaram nada satisfeitos com as medidas protecionistas colocadas no leite argentino. São fabricantes de alimentos que tem no leite importante matéria prima e fornecedores de produtos lácteos para merenda escolar, etc, que se aliaram aos portenhos para tentar neutralizar a posição das entidades brasileiras nas negociações. O objetivo deles era um só: obter leite importado mais barato do que o brasileiro. Como se sabe, o capital não tem pátria. 

È forçoso reconhecer que a pecuária leiteira do Brasil está vivendo novos tempos. A produção cresce, a população não sofre mais crise de desabastecimento, o mercado interno ganhou proteção, a qualidade do leite progrediu e deve melhorar ainda mais, conquistamos uma fatia do mercado externo, pequena, mas deve aumentar, a entressafra está quase extinta e os preços para os produtores ganharam boa estabilidade.  Mas  existe um ponto em que estamos na estaca zero.

O medíocre consumo de leite e de demais lácteos pelos brasileiros, não se deve apenas ao seu baixo poder aquisitivo, mas, sobretudo, pela ausência de uma campanha que reverta essa situação decorrente da ausência de espírito de união da classe. É preciso que mais produtores participem de suas entidades e não fiquem insensíveis como se os benefícios auferidos fossem obras da Divina Providência. Onde está o problema? Nem Freud explica.

 

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (fevereiro/2005)