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Para que servem os políticos?

 

Tive a oportunidade de ouvir recentemente, na abertura do III SP Exportação, as palavras de grandes políticos, dentre elas do governador de São Paulo Geraldo Alckmin e dos ministros Roberto Rodrigues e Luiz Fernando Furlan. Todos foram unânimes em afirmar em seus discursos que o crescimento da economia brasileira vai muito bem. O Ministro Furlan foi mais além, disse que quem não investir agora estará perdendo uma grande oportunidade.

O otimismo destas autoridades tem bases sólidas de sustentação, como mostram alguns indicadores atuais da economia brasileira. Crescimento no PIB. Inflação baixa e sob controle. O salário mínimo atual que recuperou o poder de compra. Crescimento extraordinário nas exportações. Crescimento na produção industrial. Crescimento no emprego. O agronegócio continuaria em crescimento não fosse a quebra na safra, mas esperamos que este seja um ano atípico.

Há quem ache que o país poderia crescer muito mais, não fosse como diz o economista Paulo Rabello de Castro, "a economia parece blindada, quando de fato está apenas bloqueada, retida pelo regime de metas de inflação, que a prende no crescimento medíocre".

Olhando a outra face do Brasil, não é a primeira vez que ele vive uma crise política de grandes intensidades como a que hoje todos presenciamos. Tiveram o impeachment de Collor, os anões do orçamento e outras de menor proporção. Alguns políticos consideram que esta é a maior de todas as crises políticas que o país já enfrentou.

Conversando com os produtores, principalmente de leite, sentimos que todos estão insatisfeitos com a situação do setor, mas ninguém associa a crise do agronegócio, e a do leite, com a crise política.

Desta vez a economia está menos vulnerável e o brasileiro continua a sua vida, produzindo, comprando, vendendo, trabalhando a despeito da indignação que vemos nos olhos de todos.

Apesar de tudo que está acontecendo, o governo não cumpre o seu papel. As rodovias, ferrovias, portos e armazéns estão sucateados e o Estado não tem iniciativa nem capacidade para investir, apesar de o governo ter divulgado intempestivamente a liberação de recursos.

O presidente Lula destacou em seu recente discurso o extraordinário resultado da balança comercial, a criação de mais de três milhões de novos empregos com carteira assinada e projetos programados para investimentos superiores a 20 bilhões de dólares. Quem exporta é o governo? Quem dá emprego com carteira assinada é o governo? Quem investe em fábricas é o governo?

Isto me faz lembrar uma antiga fabula. Um dia uma formiguinha, em busca de seu destino, caminhava cansada a beira de uma estrada quando avistou um elefante. Deu com a mão pedindo carona e foi prontamente atendida. Subindo no dorso do elefante, após alguns quilômetros olhou para traz e comentou com o seu benfeitor: veja o "poeirão" que estamos fazendo. O governo age com a formiguinha. Chama para si os resultados positivos conseguidos pela iniciativa privada.

Saí um pouco da minha área que é o leite, que procuro defender com unhas e dentes, mas procurei expressar meus sentimentos não só como dirigente de entidade de classe, mas também como cidadão brasileiro.

Eu sei da importância dos políticos num sistema democrático. Mas na situação em que estamos vivendo (a economia andando sozinha), dá vontade de perguntar: "Para que servem os políticos?".

 

Jorge Rubez - Presidente da Leite Brasil (agosto/2005)